Por que a febre amarela é novamente uma preocupação

 O Brasil está passando por um surto de febre amarela. Até quarta-feira (18), já foram notificados 184 casos suspeitos e 47 mortes provavelmente relacionadas à doença. Os casos estão concentrados em Minas Gerais – 29 cidades do Estado têm registro da doença.

Pelo menos sete mortes por febre amarela já foram confirmadas. Os pacientes manifestaram sintomas da doença e tiveram suas vísceras submetidas a um teste no Instituto Evandro Chagas, no Pará. Todos são mineiros. Para comparar, o número de mortos só em janeiro de 2017 já se iguala ao total de 2016. Em 2015, foram nove mortes.

Médicos e pesquisadores têm cautela quanto aos números, já que nem todos os casos registrados da doença estão confirmados. Mas há preocupação. Embora as suspeitas de casos estejam concentrados em um Estado, há suspeita de que a doença se alastre para o interior paulista e para o Espírito Santo, onde há quatro casos suspeitos.

Normalmente, a incidência da doença em humanos é precedida por um aumento anormal no número de mortes de macacos. Tanto o Espírito Santo quanto São Paulo (a região de São José do Rio Preto) registraram mortes de primatas.

A possível relação entre o desastre de Mariana e a doença

Parte dos municípios atingidos pelo surto de febre amarela está na trajetória do Rio Doce, rio afetado pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015. Além de ter provocado 19 mortes, os 32 milhões de metros cúbicos de lama despejados deixaram um rastro de destruição pelos 700 quilômetros do rio.

Para a bióloga Marcia Chame, coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz, a tragédia de 2015 pode ter relação com o aumento anormal no número de casos de febre amarela.
Isso porque o ambiente ao longo do rio Doce foi deteriorado, o que impactou a saúde dos macacos que habitam a região. “Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”, disse a bióloga ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Isso porque o ambiente ao longo do rio Doce foi deteriorado, o que impactou a saúde dos macacos que habitam a região. “Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”, disse a bióloga ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

O Espírito Santo, por exemplo, não está no mapa de áreas de risco para a febre amarela. Em 2017, porém, há casos suspeitos – e alguns deles estão em cidades que ficam no curso do Rio Doce, como Baixo Guandu e Colatina. O Estado foi incluído no programa de vacinação emergencial relacionado ao surto de 2017.

A bióloga, no entanto, é cautelosa com a associação direta entre a tragédia e o surto de febre amarela. “Não há dados disponíveis que possam correlacionar a tragédia de Mariana aos casos”, ela afirmou em seu Facebook. “O conhecimento disponível aponta a relação da degradação ambiental, além de outros fatores, com os surtos também em outros estados. A dinâmica da febre amarela é complexa e as áreas dos surtos são impactadas há anos por diversos fatores.”

Entre esses fatores, está a degradação ambiental histórica decorrente da mineração, por exemplo. 

Confira mais sobre a febre amarela em NEXO

Fonte: Nexo

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