Membros da SBOC chamam a atenção para a qualidade do tratamento oncológico público no país

Oncologistas membros da SBOC publicaram, em julho, um importante artigo no Journal of Global Oncology, periódico de prestígio na área. No trabalho, eles demonstram numa análise detalhada como a falta de acesso ao medicamento trastuzumabe para tratamento do câncer de mama metastático HER2-positivo no SUS tem como resultado o aumento do número de mortes precoces das pacientes que apresentam a doença. “A introdução de trastuzumabe e pertuzumabe (no sistema público) aumentaria significativamente o tempo de vida de mulheres com câncer de mama metastático HER2-positivo no Brasil, evitando 768 mortes prematuras nos próximos dois anos”, afirmam.  Veja os dados completos do artigo no infográfico.

O objetivo dos oncologistas foi chamar a atenção para a necessidade de discutir não só a situação do trastuzumabe, mas a qualidade do tratamento oncológico oferecido pelo sistema público no Brasil de modo geral. “O fato de não disponibilizar um medicamento como este ou a demora para aprovar sua inclusão tem consequências que podemos medir em número de vidas perdidas. Esse é um problema que temos de discutir”, afirma o oncologista Dr. Carlos Barrios, um dos autores do artigo. Segundo ele, quando somente um país não oferece um medicamento que todo o mundo adotou há muitos anos, o processo decisório precisa ser revisado. “Os pacientes, a sociedade civil, as sociedades médicas, os técnicos responsáveis pela aprovação dos medicamentos, o governo e a indústria farmacêutica devem parar de acusar uns aos outros e abrir um diálogo para encontrar uma solução”, avalia.

O oncologista Dr. Carlos Sampaio que também assina o texto, lembra que as limitações no tratamento oncológico no sistema público existem em todas as etapas: desde as dificuldades para acesso rápido e qualificado ao diagnóstico, a oferta de radioterapia até a demora no agendamento de cirurgias, além da falta de terapias como o trastuzumabe, aprovado para tratamento do câncer de mama metastático HER2-positivo há 15 anos e incluído na lista de medicamentos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS) no ano passado. “Quanto vale a vida de um paciente com câncer? Quanto nós, como sociedade brasileira, estamos dispostos a pagar? Essa é a pergunta que precisamos responder”, afirma Dr. Sampaio, que lembra que no Brasil 75% dos pacientes com câncer são atendidos pelo SUS.

Para o oncologista Dr. Gilberto Amorim, membro da Comissão de Ética da SBOC e um dos autores do artigo, somente a questão econômica não explica a demora na liberação de terapias contra o câncer no país. “As terapias modernas contra o câncer são caras, mas falta vontade política para enfrentar o problema. O Brasil consegue oferecer tratamento de ponta para outras doenças, como a Aids, por exemplo”, observa. Segundo ele, parcerias público-privadas poderiam garantir a transferência de tecnologia e o barateamento da produção. “Não podemos mais demorar oito anos – como aconteceu com a aprovação do trastuzumabe para tratamento adjuvante – para liberar um medicamento”, completa. De acordo com o especialista, entre 2005, quando a terapia foi aprovada mundialmente para tratamento adjuvante, e 2012 – ano anterior a sua incorporação pelo SUS para esta indicação – estima-se que aproximadamente 5 mil pacientes morreram no Brasil pela falta do medicamento.

Fonte: Sociedade Brasileira de Oncologia

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